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Botafogo quebra o silêncio e o favoritismo
Fellipe Awi

Não batia uma brisa no estádio conhecido por seus ventos uivantes. Vinte e dois PMs, o equivalente a dois times de futebol, vigiavam arquibancadas vazias. A cada gol, brilhava um personagem que andava sumido dos campos: o garoto do placar, nem tão garoto assim. Atrás das sociais, torcedores viam o jogo do Flamengo pela TV. Assim, inspirado por um cenário inusitado, o time de formiguinhas do Botafogo venceu o milionário Corinthians por 3 a 1 no Luso-Brasileiro. Com 100% de aproveitamento, só não é líder do Brasileiro porque o Santos tem saldo de gols melhor.

Sem torcedores por testemunhas — pelo menos pagando ingresso —, o Botafogo quebrou uma escrita de 13 anos sem duas vitórias no início do Brasileiro e, segundo o próprio técnico PC Gusmão, só não surpreendeu quem vive o dia-a-dia do time. Aproveitando-se do silêncio ao redor, o treinador fez valer suas poderosas cordas vocais durante os 90 minutos e, ainda com a voz firme, sintetizou a esperança do torcedor alvinegro:

— Entramos como zebra e saímos vitoriosos. Não adianta profetizar. Nosso destino quem traça somos nós.

O Botafogo traçou a sua vitória exibindo uma estrela que ainda não foi contratada pelos milhões da MSI: o conjunto. O time compensou a ausência de brilho com força e personalidade contra jogadores mais técnicos, porém solistas, e de um técnico que prefere fumar cigarros a orientar seu time. No primeiro tempo, lento, o Botafogo deu espaços para um desentrosado Corinthians. Aos 32, numa cobrança de escanteio de Roger, a zaga parou e Gil marcou de cabeça.

“Firula, não!”: o grito de PC ecoou no estádio vazio

O espírito do Botafogo foi outro no segundo tempo, ainda mais com a entrada de Almir. A virada começou quando Betão fez pênalti em Túlio, aos quatro minutos. Alex Alves bateu bem: 1 a 1. Quando ameaçava diminuir a pegada, PC usava o silêncio a seu favor.

— Firula, não! — gritou para Caio, que demorou a chutar.

Já aconselhado, Ramon nem dominou a bola antes de finalizar, aos 29, após bom passe de Marcelinho. Um bonito gol, o da virada. Com o Corinthians já entregue, o Botafogo fez o terceiro quando Marcelinho sofreu pênalti de Sebá, aos 42. Alex Alves cobrou bem de novo e consolidou a vitória na abertura do renovado Luso-Brasileiro. Sem os gritos da torcida, a comemoração foi incompleta mas não faltou nada para deixar o torcedor alvinegro esperançoso.

Botafogo: Jefferson; César Prates, Rafael Marques, Scheidt e Oziel; Jonílson, Túlio, Juca (Almir) e Ramon (Glauber); Alex Alves e Caio (Marcelinho). Corinthians: Fábio Costa; Ânderson, Betão e Sebá Dominguez; Edson, Marcelo Mattos, Carlos Alberto, Roger (Dinélson) e Gustavo Nery (Vinícius); Tevez e Gil. Juiz: Márcio Rezende de Freitas (SC). Cartões amarelos: Gustavo Nery, Túlio, Sebá Dominguez, Jonílson, Alex Alves e Tevez.
cnico: Daniel Passarella.

Fonte - O GLOBO

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